Operários da GM reclamam de pagamento menor na PLR

Trabalhadores da fábrica da GM (General Motors) de São Caetano reclamam que valor da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de 2017 é menor que o combinado. Segundo eles, apesar de os cerca de 8.600 operários terem alcançado a meta de produção, fixada em 120%, o valor total de R$ 14.089 ficou abaixo do esperado. Embora eles aleguem que foi informado ao chão de fábrica o cumprimento do objetivo, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano afirmou, porém, que o percentual alcançado foi de 118,83%.

Adicionalmente, outras queixas dos trabalhadores são as de que o valor recebido é menor que o pago em 2016, de R$ 14,8 mil, mesmo tendo fabricado 42 mil veículos a mais, chegando a 154 mil unidades, e que o montante ficou R$ 1.511 abaixo do pago em São José dos Campos (Interior), de R$ 15,6 mil, onde a GM emprega cerca de 3.000 pessoas e produz dois modelos, a S10 e a Trailblazer – na região são quatro, sendo um deles campeão de vendas no País no ano passado, o Onix. Além dele, também são confeccionados Spin, Cobalt e Montana.

Conforme relatos dos metalúrgicos, eles receberam informações dos chefes da linha de produção de que tinham batido a meta de 120% em dezembro, o que garantiria valor adicional. “Antes, nós éramos informados todos os meses sobre quanto tínhamos produzido. Há dois anos isso não acontece mais, então não dá para ter muita noção oficial. Só sabemos mesmo pelo que eles nos informam”, contou um dos funcionários, que está há cerca de dez anos na empresa e pediu para não ser identificado.

Questionado, o presidente do sindicato, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, informou que faltaram 500 veículos para que a meta de fabricação fosse alcançada. “Nos dois últimos dias de produção do ano, perdemos estas unidades por conta da falta de algumas peças. Não houve a possibilidade de diminuir a perda destes veículos no resultado final porque havia prazo para enviar as informações, e fechamos com 118,83%. Eu também não fiquei satisfeito e tentei negociar, mas a GM não quis discutir, e hoje (ontem) divulgou o resultado”, explicou, sem justificar a atitude da diretoria da planta de afirmar que eles tinham atingido o objetivo. “Se tivéssemos os 120%, o valor da segunda parcela seria de R$ 7.169, ou seja, a diferença seria pequena, de R$ 80”.

Quanto à cobrança frente a São José, o sindicalista apontou que não é possível fazer comparações. “Eles não receberam o abono que tivemos aqui em São Caetano, e não tiveram um acordo como o nosso. Em anos anteriores, nós produzimos menos e recebemos o mesmo valor que eles. O abono, calculado no início do ano, considerou perspectiva de inflação de 5,8% e o levou ao valor de R$ 3.000. Ao todo, porém, os benefícios chegarão a R$ 17 mil, o que supera o montante de São José. E se esse acordo fosse fechado agora, com a inflação de 1,8%, o abono cairia para R$ 1.200.”

Cidão se refere às negociações realizadas em fevereiro, com votação da proposta em assembleia pelos trabalhadores. Na época, a montadora norte-americana propôs o corte de direitos dos trabalhadores, como redução do adicional noturno de 30% para 20% e ausência de reajuste neste ano, em troca de abono salarial e investimento para garantir a operação da planta até 2028 – segundo a GM, sem o aporte ela duraria apenas mais quatro anos. “Em São José não houve essa situação, e eles não tiveram esse abono. O acordo de lá previa somente a PLR.”

Outro funcionário que pediu sigilo disse que não faz sentido ganhar menos que os colegas. “Onde já se viu isso? Produzimos quatro modelos aqui, isso sem contar o CKD (partes dos carros que são exportadas) e as peças de reposição, que não entram na conta. Em São José são apenas dois e que não têm tanta saída como os daqui”, afirmou. Cidão rebateu dizendo que os modelos do Interior têm maior valor agregado que os da região.

Procurada, a GM não se manifestou até o fechamento desta edição.

DINHEIRO EXTRA – A PLR foi dividida em duas parcelas, sendo a primeira, no valor de R$ 7.000, paga em abril. A segunda, de R$ 7.089, deve ser depositada no dia 15. A estimativa é que o pagamento injete cerca de R$ 61 milhões na economia regional.

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