Setor externo tem déficit de US$ 4,327 bi em dezembro e de US$ 9,762 bi em 2017

O resultado das transações correntes ficou negativo em US$ 4,327 bilhões em dezembro do ano passado, informou nesta sexta-feira, 26, o Banco Central, por meio da Nota do Setor Externo à imprensa.Este déficit é inferior ao resultado negativo de US$ 5,897 bilhões verificado em dezembro de 2016. O BC projetava para dezembro um déficit em conta de US$ 3,8 bilhões.

O resultado do mês passado ficou um pouco pior que a mediana negativa de US$ 4,200 bilhões apontada pelo levantamento realizado pelo Projeções Broadcast com 30 instituições. O intervalo projetado ia de déficit de US$ 5,55 bilhões a déficit de US$ 2,4 bilhões.

A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 4,642 bilhões em dezembro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 3,675 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária em US$ 5,863 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou no vermelho em US$ 4,146 bilhões.

2017

O Brasil encerrou 2017 com um déficit em conta corrente de US$ 9,762 bilhões, conforme os dados do BC. Este é o melhor resultado anual desde 2007, quando a conta corrente do País ficou positiva em US$ 408 milhões.

O déficit do ano passado foi pouco maior que a mediana negativa de US$ 9,700 bilhões apontada pelo levantamento realizado pelo Projeções Broadcast com 23 instituições. O intervalo projetado ia de déficit de US$ 12,970 bilhões a déficit de US$ 7,800 bilhões. A estimativa do BC era de que o rombo externo de 2017 atingisse US$ 9,2 bilhões. Para 2018, a instituição projeta déficit de US$ 18,4 bilhões.

O déficit de transações correntes em 2017 representa 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB).

Já a balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 64,028 bilhões em 2017, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 33,851 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária em US$ 42,572 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou no vermelho em US$ 5,230 bilhões.

Remessa de lucros

A remessa de lucros e dividendos de companhias instaladas no Brasil para suas matrizes foi de US$ 3,738 bilhões em dezembro de 2017, informou o Banco Central. A saída líquida representa um volume menor que os US$ 3,891 bilhões que foram enviados em igual mês do ano anterior, já descontados os ingressos.

No acumulado de 2017, a saída líquida de recursos via remessa de lucros e dividendos alcançou US$ 21,032 bilhões. O resultado enviado é superior ao registrado no ano anterior, quando as remessas foram de US$ 19,433 bilhões. A expectativa do BC era de que a remessa de lucros e dividendos de 2017 somasse US$ 21,5 bilhões.

O BC informou também que as despesas com juros externos somaram US$ 2,159 bilhões em dezembro, ante US$ 3,116 bilhões em igual mês de 2016. No acumulado de 2017, essas despesas alcançaram US$ 21,824 bilhões, valor menor que os US$ 21,937 bilhões do ano anterior. Para 2017, o BC projetava pagamento de juros externos no valor de US$ 21,3 bilhões. Já a projeção para 2018 é de pagamentos de US$ 16,9 bilhões.

Viagens internacionais

A conta de viagens internacionais voltou a registrar déficit em dezembro, informou o Banco Central. No mês passado, quando o dólar subiu 1,42% ante o real, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil foi de um saldo negativo de US$ 1,123 bilhão. Em igual mês de 2016, o déficit nessa conta era de US$ 941 milhões.

O desempenho da conta de viagens internacionais foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 1,624 bilhão em dezembro. Já o gasto dos estrangeiros em passeio pelo Brasil ficou em US$ 501 milhões no mês passado.

No acumulado de 2017, o saldo líquido dessa conta ficou negativo em US$ 13,192 bilhões. Em 2016, esse valor havia sido de US$ 8,473 bilhões. O BC estimava um déficit de US$ 13,5 bilhões para esta rubrica em 2017. Já a projeção para 2018 é de déficit de US$ 17,3 bilhões.