INSS e Fiesp se aliam para ajudar beneficiários do auxílio-doença

Parceria entre a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) visa capacitar 500 trabalhadores afastados, que recebem o benefício de auxílio-doença por acidente de trabalho, para a volta ao mercado. A primeira turma, com 23 alunos, divididos entre os cursos de Logística e Inspeção de Qualidade, iniciou as aulas ontem, na unidade do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) do bairro Ipiranguinha, em Santo André.

Na região, o número de benefícios pagos caiu 21,97%, no comparativo entre os dados entre dezembros de 2016 e 2017. No ano passado, 1.922 pessoas se encontravam afastadas do emprego (541 a menos do que em 2016), o que representa um pagamento de R$ 3,6 milhões em benefícios (veja arte acima).

A redução aconteceu basicamente por conta de um ‘pente-fino’ realizado pelo instituto no ano passado, conforme o advogado e sócio do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados Murilo Aith. “O INSS cortou milhares de benefícios no ano passado, de quem era colocado em reabilitação profissional ou de quem não comparecia à perícia”, explicou.

O convênio já tinha sido assinado no fim do ano passado, mas foi renovado, já que anteriormente as vagas não foram preenchidas. O intuito é chegar à marca de 2.000 inscritos ainda neste ano. “Entendemos que uma rápida recuperação física, tanto quanto a capacitação profissional, reduziria o custo do INSS e ao mesmo tempo tornaria a pessoa uma pagadora de impostos para o instituto, além de a tornar ativa no mercado de trabalho. É uma equação muito boa”, afirmou o diretor da Fiesp Sylvio Barros.

O encaminhamento do segurado no serviço de reabilitação profissional depende da perícia.“O INSS não tem braço para fazer essa capacitação tão rápida (cerca de 160 horas de aulas) e teria de contratar empresas ou pessoas. A parceria com o Senai, que tem especialização e parceria grande com a indústria, faz com que isso aconteça muito mais rápido”, classificou o presidente do INSS, Francisco Paulo Soares Lopes, que visitou a unidade.

Entre os casos está o do operador de máquina William Bernardo, 37 anos, morador do Jardim Santo André. Ele está afastado há seis anos, desde que desenvolveu problemas de saúde por conta de desgaste no quadril. “Cheguei a ir no médico várias vezes, mas tomava remédios e não fazia um acompanhamento depois”, contou ele, que mora junto com a filha de 18 anos.

Quando a dor se tornou insuportável, vieram o diagnóstico e o afastamento. Em 2011, ele recebia um salário de cerca de R$ 3.100, sendo que hoje o valor do benefício chega a R$ 2.300. A esperança de Bernardo é que com o curso de Logística ele consiga retornar à empresa. “Estou muito feliz com isso, porque eu quero muito voltar a trabalhar.”

Presidente confirma corrida para aposentadoria

O presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Francisco Paulo Soares Lopes, afirmou que a corrida para a retirada da aposentadoria, antes de possíveis mudanças das regras com a reforma previdenciária, acontece em todo o País. O Diário já tinha noticiado a elevação regional, na última semana.

No Grande ABC, 20.337 pessoas tiveram o benefício aprovado, o que representa cerca de 55 a cada dia. O número é 6,48% maior do que em 2016, totalizando 335.575 aposentados em dezembro de 2017. “De fato está acontecendo (a corrida). Muitos estão fazendo o pedido de aposentadoria tendo em vista a iminência da aprovação da reforma”, disse.

A expectativa é a de que a reforma previdenciária aconteça ainda no próximo mês, após o Carnaval. O prolongamento da discussão também acaba sendo prejudicial ao instituto, que sofre com deficit de funcionários – sem previsão de abertura de novos concursos.

Para desafogar o atendimento das agências, o próximo mês também deve marcar a oferta de mais serviços digitais. “A gente mapeou cinco benefícios que podem ser concedidos automaticamente, mas que ainda estão em testes. A aposentadoria por tempo de serviço já foi testada no ano passado. Cerca de 200 mil pessoas estariam aptas a receber esse benefício automático. Nós vamos fazer uma campanha logo depois do Carnaval.”