Vice-prefeita assume e promete continuidade nos serviços à população
SÃO BERNARDO DO CAMPO — A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (14), a operação “Estafeta”, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo a administração municipal. O prefeito Marcelo Lima (Podemos) foi afastado do cargo por um ano, por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo, e está proibido de acessar prédios públicos, além de ser obrigado a usar tornozeleira eletrônica.
A investigação começou em julho, quando a PF apreendeu R$ 14 milhões em espécie — entre reais e dólares — com um servidor da Prefeitura apontado como operador financeiro do suposto esquema. No desdobramento de hoje, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, 20 de busca e apreensão, além de quebras de sigilos bancário e fiscal.
Também foram afastados o presidente da Câmara Municipal e primo do prefeito, Danilo Lima (Podemos), e o suplente de vereador Ary José de Oliveira (PRTB). As ações ocorreram simultaneamente em São Bernardo, Santo André, Mauá, Diadema e na capital paulista.
Segundo a PF, o dinheiro apreendido era guardado em um “bunker” e usado para custear despesas pessoais do prefeito e de familiares, incluindo mensalidades escolares e serviços de personal trainer. Interceptações telefônicas revelaram que os envolvidos usavam códigos como “americanos” para se referir a dólares e “figurinha” para o dinheiro vivo.
Com o afastamento, quem assume a chefia do Executivo é a vice-prefeita Jéssica Cormick (Avante), ex-policial militar, eleita na mesma chapa de Lima em 2024. Ela afirmou que sua prioridade será manter o funcionamento normal dos serviços municipais enquanto as investigações continuam.
Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de São Bernardo e o partido Podemos não haviam se pronunciado oficialmente sobre o caso.


