A primeira-dama Renata Galati fez carreira na iniciativa privada. Quando assumiu a presidência do Fundo Social de Solidariedade, sentiu a diferença do mundo público e privado. E tratou rápido de se adaptar e trazer mudanças que trouxeram vida nova à entidade. Isso somado a seu jeito carinhoso, que acolhe com atenção a cada caso que lhe chega, cada pessoa que atende, fizeram o Fundo mostrar números invejáveis em apenas oito meses. Nessa entrevista exclusiva à FOLHA, ela fala um pouco desse processo e adianta novidades que vêm por aí. Confira os principais trechos:
FOLHA DE SÃO CAETANO – A senhora veio do setor privado, onde muita coisa funciona diferente. Qual foi o maior impacto e como se acostumou a trabalhar dentro do setor público?
RENATA GALATI – De fato, o setor privado tem uma dinâmica muito diferente do setor público. No privado, as coisas acontecem com mais rapidez e autonomia, enquanto no público existe um processo mais longo, com muitos trâmites e regras que precisam ser respeitadas. No começo isso foi um grande impacto para mim, porque eu sempre fui muito prática e imediatista. Mas, entendi que no serviço público essa burocracia também tem um propósito: garantir transparência e que tudo seja feito dentro da lei.
FOLHA – Qual o balanço faz do seu trabalho até aqui do seu trabalho no Fundo Social de Solidariedade de São Caetano do Sul?
RENATA GALATI – Olho para esse período com muito carinho e satisfação. Tem sido um trabalho desafiador, mas extremamente enriquecedor. Venho do setor privado, onde a lógica é outra, e de repente me vi em um lugar em que a prioridade é olhar para as pessoas que mais precisam. Isso me transformou muito também como ser humano.
A cada dia eu percebo que estou crescendo junto com o Fundo Social: aprendo a lidar com os desafios, a ouvir mais, a ser mais paciente e, principalmente, a valorizar o impacto que uma ação, por menor que pareça, pode ter na vida de uma família inteira.
Eu sinto que consegui trazer minha energia, minha disposição e a visão prática do setor privado para dentro do Fundo Social, e isso tem ajudado a dar mais agilidade e proximidade ao nosso trabalho. Então, o balanço até aqui é muito positivo. Tenho orgulho do que estamos construindo e gratidão pela oportunidade de servir à cidade dessa forma.
FOLHA – Hoje, quais os programas que se destacam em sua gestão, e por quê?
RENATA GALATI – Hoje, eu considero que um dos maiores destaques da nossa gestão são os cursos de qualificação profissional oferecidos pelo Fundo Social. Atualmente temos 28 cursos em diferentes áreas, como gastronomia, estética, artesanato e ambientes interiores, formando cerca de 780 alunos a cada semestre. Esse programa é muito especial porque não se trata apenas de ensinar uma nova habilidade, mas de abrir portas reais para o mercado de trabalho e para a independência financeira das famílias.
Além disso, temos tido uma forte atuação com campanhas solidárias ao longo do ano. A Campanha do Agasalho, por exemplo, teve uma adesão incrível da população e ainda contou com a iniciativa da lojinha solidária, onde as pessoas puderam escolher as peças de acordo com sua necessidade. Neste momento estamos com a Campanha do Leite em andamento e já nos organizamos para a Campanha das Fraldas Geriátricas, que atenderá uma demanda importante da cidade.
FOLHA – De acordo com uma pesquisa inédita do IBRE/FGV, divulgada em agosto com base em dados do Censo 2022, a maioria dos lares brasileiros é chefiada por mulheres. A pesquisa indica que são 52 lares em cada 100, o que representa uma mudança significativa em relação ao Censo de 2010, quando os homens eram responsáveis por 61,3% das unidades domésticas. Esse fenômeno se repete em São Caetano?
RENATA GALATI – Os dados nacionais já mostram essa mudança de realidade, com cada vez mais lares chefiados por mulheres. Em São Caetano, mesmo sem um número oficial específico, isso também é muito visível no nosso dia a dia. A cidade tem maioria feminina e vemos mulheres assumindo a frente de suas famílias, de negócios e de projetos sociais. Eu acredito que isso mostra a força e a resiliência da mulher sul-caetanense, que além de cuidar da casa, conquista seu espaço e garante o sustento da família. É um movimento que me inspira muito e reforça a importância de políticas públicas voltadas para apoiar ainda mais essas mulheres.
FOLHA – Como isso se reflete na definição de políticas públicas no Fundo Social de Solidariedade?
RENATA GALATI – Esse dado é muito importante porque reforça que as mulheres são, em grande parte, as responsáveis pelo cuidado e pela manutenção das famílias. No Fundo Social isso se traduz em políticas e programas que olham especialmente para elas. Nossos cursos profissionalizantes, por exemplo, têm grande adesão de mulheres, muitas delas buscando uma oportunidade de gerar renda e garantir independência financeira.
As campanhas solidárias também acabam atendendo em grande parte lares chefiados por mulheres, que vêm buscar apoio para complementar a alimentação ou outras necessidades da família. Então, sim, esse movimento se reflete diretamente no nosso trabalho, e por isso temos a preocupação constante de pensar em ações que apoiem e fortaleçam essas mulheres, porque ao fortalecer uma mulher, fortalecemos toda uma família.
FOLHA – O Fundo trabalha diretamente com a população em vulnerabilidade social. Indo ao socorro dessas pessoas em situação de fragilidade, alguma história mexeu particularmente com a senhora?
RENATA GALATI – Já vivi muitas situações que mexeram comigo, mas duas me marcaram profundamente. Uma foi quando visitei um asilo e vi um senhorzinho muito frágil tentando atravessar o corredor porque o elevador estava quebrado. Aquilo me doeu de uma forma indescritível. Eu não conseguia mais dormir pensando nele, na dificuldade que enfrentava todos os dias. Aquilo me tocou tanto que eu mesma providenciei o conserto. Fiz isso porque não dava para conviver sabendo que aquelas pessoas estavam sofrendo dessa maneira.
A outra foi na nossa lojinha solidária, quando um menininho de apenas 3 ou 4 anos encontrou um tênis da marca que era o sonho dele. Quando calçou e viu que servia, ele chorava de alegria. Aquilo me mostrou como algo que para nós pode parecer simples, para outras pessoas é motivo de uma felicidade enorme.
Essas histórias me tocam porque reforçam a importância de dar dignidade e oportunidades. Às vezes é um gesto pequeno, mas que muda completamente a vida de alguém. É isso que me move no Fundo Social.
FOLHA – Quais os lemas do Fundo sob sua gestão? Quais as metas?
RENATA GALATI – O lema que norteia meu trabalho no Fundo Social é a ideia de que solidariedade transforma vidas. A gente trabalha sempre com o coração aberto, buscando oferecer não só ajuda imediata, mas também dignidade e oportunidades para as pessoas que mais precisam.
Em relação às metas, o nosso maior objetivo é ampliar a capacidade de atendimento. Hoje já oferecemos 28 cursos profissionalizantes e queremos aumentar esse número, tanto em vagas quanto em especialidades. Também temos como meta fortalecer cada vez mais nossas campanhas solidárias, para que cheguem a mais famílias em situação de vulnerabilidade. No fundo, a nossa meta é sempre a mesma: alcançar mais pessoas, com mais qualidade e mais impacto.
FOLHA – Há novidades pela frente?
RENATA GALATI – Sim, temos novidades muito importantes. Uma delas é a parceria com o SEBRAE, para oferecer cursos complementares voltados ao empreendedorismo. Muitas pessoas que se formam nos nossos cursos têm talento e força de vontade, mas não sabem como tirar o sonho do papel — como organizar custos, calcular lucro, ou estruturar um pequeno negócio. Com esse apoio, queremos dar a elas as ferramentas para transformar o que aprenderam aqui em fonte de renda e independência financeira.
Outra novidade é que estamos estudando projetos para aproximar o setor privado do Fundo Social. Até hoje essa participação nunca foi incentivada, mas acreditamos que unir forças com empresários e empresas locais é fundamental. Queremos que eles participem ativamente, seja ajudando a montar novas salas equipadas para cursos — como uma cozinha, um espaço de estética ou de mecânica — ou apoiando nossas campanhas solidárias. Com esse reforço, teremos mais recursos, mais estrutura e, consequentemente, mais impacto.
Acreditamos que, juntos, setor público, setor privado e sociedade civil, podemos ir muito mais longe e transformar ainda mais vidas.
FOLHA – Como é equilibrar a vida de primeira-dama, presidente do Fundo Social com a de mãe e esposa?
RENATA GALATI – Como eu sempre trabalhei, conciliar a vida profissional com a de mãe e esposa já era algo natural para mim. Mas é verdade que, no setor privado, eu tinha mais tempo para mim, para os meus filhos e para o meu marido. No Fundo Social, a dedicação é maior e acaba tomando mais do meu tempo. Mesmo assim, está sendo uma experiência muito prazerosa e enriquecedora, que me deixa muito feliz.
Claro que sinto falta de estar mais presente em alguns momentos, mas acredito que toda família passa por períodos de adaptação. No nosso caso, ainda mais porque meu marido também tem as demandas intensas da Prefeitura. Estamos todos nos ajustando a essa nova rotina. O mais importante é que nos amamos, nos respeitamos e sabemos que a família é sempre prioridade. A gente dá um jeito para estar junto, seja em casa, em passeios ou nas pequenas coisas do dia a dia. Tenho certeza de que, com o tempo, vamos encontrar ainda mais equilíbrio.
FOLHA – Aliás, como avalia o trabalho de seu marido, o prefeito Tite Campanella, à frente do comando do Executivo até aqui?
RENATA GALATI – Eu sou suspeita para falar, porque ele é meu marido, meu candidato e é nele que sempre acreditei. Mas o que posso dizer é que ele assumiu a Prefeitura em um momento extremamente desafiador, que exige muito esforço, dedicação e responsabilidade. Ainda assim, eu vejo de perto o quanto ele trabalha, muitas vezes até além do horário, sempre preocupado em atender as pessoas e buscar soluções.
Ele está enfrentando dificuldades grandes, mas com muita coragem e equilíbrio, e isso já se reflete no reconhecimento da população. Acredito que a marca do trabalho dele é justamente essa: a seriedade e a vontade genuína de fazer por São Caetano. Tenho certeza de que, junto com a equipe, ele vai conseguir superar os desafios e realizar o sonho que sempre teve, que é transformar a cidade e honrar a história política do pai dele, que também foi tão querido aqui.
Então, mais do que como esposa, eu falo como cidadã de São Caetano, confio plenamente na capacidade dele e acredito muito no trabalho que está sendo feito.


